quarta-feira, 25 de março de 2009

A ESTRADA.



A ESTRADA

Sentado á beira da estrada, sem saber o porquê de estar ali, seu pensamento divagava por entre casas confortáveis e a certeza de uma mesa com comida, coisas que não possuía e nem se iludia em ter, já há muito tempo conformou-se com sua realidade dura e triste, mas que era sua e isso ninguém mais podia lhe tirar.
Do alto de seus oito anos de idade, dos quais pelo menos Cinco à beira da estrada, já viu coisas que a maioria dos garotos que passam por ele naqueles velozes carros nunca irão ver, crianças que como ele apenas pensavam em brincar, mas isso para ele era apenas abstração.
Senta-se um pouco à beira da estrada, já está ali desde as 06:00 da manhã, cansado e com fome, senta-se e olha para as pequenas moedas que conseguiu até agora, elas estão ali pequenas e brilhantes, que para muitos e nada, mas que para ele é o liame entre a fome e a comida, entre o sorriso e o choro, não só de si, mas também de seus irmãos e mãe.
Desde que se lembra está ali, à beira da estrada, dali enxergar a sua pequena casa, dali vê a estrada desde a grande curva em forma de “s” até a reta longa que passa em frente a ele, vê pessoas que param para aplacar sua consciência lhe dando uns trocados, mas também vê os que não se importam os que o xingam e que lhe cospem e lhe jogam coisas, desses não sente ódio, lhes delega apenas pena.
Logo é acordado pelo ronco de sua barriga, mas não é isso que lhe incomoda, já se acostumou com a fome, mas lembra-se que tem que levar algo para seus irmãos, já faz dois dias que não consegue dinheiro para comprar nem um punhado de feijão, queira D’us que hoje seja diferente. Queira D’us.

3 comentários:

Nega disse...

eu li no mesmo dia que você postou, só nao consegui comentar.

Triste realidade.

Por isso que eu não sou muito adepta aos direitos de 3° geração,
nao acho que eles caminhem juntos se ainda não vencemos nem os de 1°.

greenpeace de cu é rola!
fica meu manifesto!

Lorena disse...

a realidade dói, e é concreta demais...

Léo disse...

meiu triste issu...